Oliveira, Linhas de vida
Exposição patente de 27 de fevereiro a 28 de março 2026
Com a parceria do Centro Português de serigrafia – CPS
Exposição programada no âmbito da Festa da Francofonia 2026
Com o apoio do Institut français du Portugal
Os desenhos apresentados na Galeria Santa Maria Maior resultam de um processo artístico desenvolvido por Christine Enrègle ao longo de várias residências realizadas desde 2022, no Pátio dos Artistas, em Lisboa. Executadas a carvão sobre tela de algodão, estas obras de grande formato têm como ponto de partida a oliveira centenária do Rossio — uma presença silenciosa e persistente, enraizada no tecido histórico da cidade.
Situada no Largo de São Domingos, esta oliveira inscreve-se num território profundamente marcado pela memória. Integra um conjunto memorial que convoca o massacre de Judeus ocorrido em 1506, o pedido público de perdão pronunciado séculos mais tarde e a afirmação do carácter cosmopolita e tolerante de Lisboa. Enquanto organismo vivo, a árvore afirma-se como contraponto à violência histórica, sustentando um espaço onde a lembrança exige reconhecimento, escuta e responsabilidade.
Desde a Antiguidade, a oliveira ocupa um lugar central no imaginário simbólico do Mediterrâneo. Associada à sabedoria, à vitória e à promessa, atravessa a mitologia grega e a tradição bíblica como sinal de continuidade e de paz possível. No Rossio, essa herança simbólica concentra-se numa imagem simultaneamente frágil e resistente, onde o tempo histórico e o tempo natural se cruzam.
O trabalho de Christine Enrègle inscreve-se neste campo de tensões entre história, mito e experiência sensível. Os desenhos recusam a representação descritiva da árvore para se aproximarem da sua presença material e rítmica, da sua capacidade de resistência e permanência. O carvão — matéria instável e profundamente ligada ao gesto — introduz um tempo lento e reiterado, no qual o olhar se aprofunda e o traço se sedimenta.
O percurso expositivo propõe uma leitura processual deste conjunto de obras, revelando-as como espaços de suspensão e de escuta. Mais do que imagens, estes desenhos configuram lugares de refúgio e de memória ativa, onde a resiliência se afirma como força ética e poética. A oliveira surge, assim, não apenas como motivo, mas como sinal: de uma paz sempre por construir, de uma reconciliação exigente e de uma esperança que persiste.
Rute Reimão, curadora
Agradeço muito calorosamente a todas as pessoas que contribuíram para a realização desta exposição: Rute Reimão, que acolheu este projeto com muita atenção, sensibilidade e profissionalismo, bem como Telmo Rocha e Fernando Arruda que ajudaram na boa realização da exposição, Alexandra Silvano, Directora Artística do Centro Português de Serigrafia-CPS, que apoiou este projecto com convicção, assim como João Prates, Director, e toda a equipa do CPS parceiro da exposição, o Instituto Francês de Portugal-IFP que contribuiu largamente para a sua comunicação assim como a Socidade Nacional de Belas Artes-SNBA, Roberta Goldfarb que generosamente me abriu o seu atelier para a realização destes desenhos, Ana Maria Pessanha pelo seu apoio incondicional, Laure Belekian, Marie e Olivier Carret, Isabelle e Gilles Erulin pelo seu acolhimento fraterno, enfim todas as pessoas que desde o início acompanharam e apoiaram este projeto.
Christine Enrègle